A Dívida Pública Federal (DPF) totalizou R$ 9,29 trilhões em agosto, ante R$ 9,28 trilhões em julho, uma variação nominal de 0,04%. Os números fazem parte do Relatório Mensal da Dívida (RMD), divulgado pelo Tesouro Nacional em 28 de setembro. O estoque exato foi de R$ 9.292,73 bilhões, contra R$ 9.288,78 bilhões no mês anterior. Em dezembro de 2025, a dívida estava em R$ 8.635,09 bilhões.
Na comparação com agosto de 2025, quando o estoque era de R$ 8.144,99 bilhões, segundo o relatório daquele mês, o valor atual é cerca de R$ 1,15 trilhão maior, um aumento de aproximadamente 14,1% (cálculo feito a partir dos dois relatórios).
Cabe ressaltar a unidade de medida utilizada: enquanto o governo emprega trilhões de reais nas divulgações gerais à imprensa, os relatórios analisados da DPF utilizam bilhões.
Emissões, resgates e juros
Em agosto, as emissões da DPF somaram R$ 211,62 bilhões, enquanto os resgates chegaram a R$ 296,05 bilhões, o que resultou em um resgate líquido de R$ 84,43 bilhões. Entre os títulos emitidos na dívida mobiliária interna (DPMFi), foram R$ 105,51 bilhões em títulos de taxa flutuante, R$ 84,05 bilhões em prefixados e R$ 21,85 bilhões em títulos vinculados a índices de preços.
A variação do estoque no mês refletiu a apropriação de R$ 88,39 bilhões em juros, parcialmente compensada pelo resgate líquido. A dívida interna (DPMFi) somou R$ 8.944,48 bilhões, o equivalente a 96,25% do total, e a dívida externa (DPFe) fechou o mês em R$ 348,26 bilhões, ou 3,75%.
Na avaliação da PrecPago, uma das referências em cessão de crédito no Brasil, o aumento contínuo da DPF se reflete diretamente na economia real e na perspectiva dos cidadãos que aguardam pagamentos judiciais. A expansão do estoque sinaliza um ambiente de maior pressão sobre a saúde fiscal do Estado, o que pode afetar a previsibilidade financeira de quem depende do cumprimento dessas obrigações por parte do ente público.
Composição da dívida
Os títulos remunerados por taxa flutuante passaram de 51,11% do estoque em julho para 52,74% em agosto, o maior percentual da série histórica, iniciada em dezembro de 2000. Em agosto de 2025, essa parcela era de 49,29%. Os títulos vinculados a índices de preços representaram 23,22% da dívida e os prefixados, 20,31%.
Em relação aos detentores dos títulos da dívida interna, as instituições financeiras concentravam 31,22%, o grupo Previdência 22,63% e os não residentes 9,91%, segundo o relatório.
O prazo médio da DPF passou de 4,05 anos em julho para 4,10 anos em agosto. O custo médio acumulado nos últimos 12 meses subiu de 12,45% ao ano para 12,59% ao ano; em agosto de 2025, estava em 11,65% ao ano.
A parcela da dívida com vencimento nos próximos 12 meses caiu de 18,91% para 16,39%. Um ano antes, o percentual era de 19,45%. A reserva de liquidez encerrou agosto em R$ 1,208 trilhão, ante R$ 1,371 trilhão em julho, nível que corresponde a 7,18 meses de vencimentos. Na comparação com agosto de 2025, houve crescimento nominal de 6,49%.
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