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21/03/2019 às 06h59 - atualizada em 20/03/2019 às 19h39

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Redacao

Ponta Porã / MS

Polícia descobre que PCC tinha lista de 12 marcados para morrer
Operação foi desencadeada pela Polícia Civil através da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado
Polícia descobre que PCC tinha lista de 12 marcados para morrer
Operação foi desencadeada no Estabelecimento de Segurança Máxima de Campo Grande

Uma operação desencadeada, ontem, pela Polícia Civil do Estado, através da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado – DECO, revelou que membros do Primeiro Comando da Capital – PCC – tinham elaborado uma lista com 12 nomes de servidores do setor de segurança pública marcados para morrer. O planejamento da ação foi descoberto pela “Operação Impetus” desencadeada no interior do Estabelecimento de Segurança Máxima de Campo Grande.


De acordo com as informações da Polícia Civil, a central de inteligência da facção criminosa foi montada de forma compartimentada e reservada dentro da própria facção, onde presos com funções de liderança criminosa recrutaram internos integrantes do PCC distribuídos entre os sistemas fechado, aberto e semiaberto, bem como, alguns simpatizantes, repassando-lhes a missão, chamada de “Salve do Quadro”, para que levantassem de forma sigilosa os mais diversos dados pessoais e profissionais em torno de servidores de segurança pública para que pudessem atentar contra a vida de forma eficaz e certeira, com objetivo de fortalecer a fação criminosa.


A investigação especializada desenvolvida pela equipe policial, nos últimos quatro meses, constatou que referida central de inteligência do crime organizado foi montada especificamente para levantamentos de dados dos mais variados que levassem a identificação e localização exata de servidores de segurança pública. Para isto, os criminosos se utilizavam de técnicas avançadas e atuais, com pesquisas aprofundadas em diversas fontes, dentre elas, redes sociais (facebook, instagram, twitter, Snapchat) fontes oficiais, dentre elas, cadastros de dados publicados em páginas oficiais nos mais diversos órgãos públicos e inclusive, junto as publicações funcionais elencadas em diários oficiais, desde dados funcionais, qualificação completa, escalas de serviço, remoções e até mesmo promoções funcionais, quando então, os integrantes encarcerados repassavam de forma sigilosa e reservada  os dados produzidos para integrantes que encontram-se evadidos e/ou em liberdade condicional a missão de continuar com os levantamentos de campo desenvolvidos.


A partir daí, esses internos escalados extramuros, passavam a acompanhar, inclusive com fotos e vídeos, os servidores de segurança pública marcados como alvos, juntamente com familiares, parentes, amigos colegas de profissão, acompanhando minuciosamente a rotina diária, locais frequentados, residências, veículos utilizados, trajetos de deslocamentos e horários vulneráveis,


Após o monitoramento nesses quatro meses de investigação, a ação criminosa foi neutralizada no dia de ontem em torno dos internos responsáveis, visto que foi possível visualizar que no último mês, as ordens se intensificaram, demonstrando levantamentos cada vez mais audaciosos em torno de servidores de Segurança Pública por parte dos internos encarregados da missão secreta e reservada, sendo possível afirmar que a ação criminosa orquestrada pela facção criminosa se daria nos próximos dias, tendo como alvo certo, 12 servidores de segurança pública identificados e tratados pelo PCC como opressores da irmandade.


Ação criminosa semelhante a desarticulada pela DECO já havia sido instalada em outros Estados, resultando na execução e morte de três servidores de presídios federais, onde a mesma facção criminosa, se utilizou da mesma forma de agir, com contratação inclusive de detetive particular para acompanhamento da rotina dos servidores públicos.


A investigação também já materializou que a referida Central de Inteligência no Estado do MS estava a cargo de vinte presos do sistema penitenciário estadual, integrantes da facção, sendo que as ordens estavam sendo emanadas de forma compartimentada a ponto dos integrantes encarregados dos levantamentos em torno dos servidores não terem acesso as missões dos outros grupos de levantamentos a cargo do crime organizado.


Segundo a polícia, foi possível apurar ainda que toda a ação criminosa foi toda orquestrada de forma dissimulada pelas consideradas mais altas lideranças do PCC em MS e que optaram por agir dessa forma visando evitar repressão aos mesmos, caso fossem descobertos e o crime desarticulado, tentando interromper ou prorrogar possíveis transferências para estabelecimentos prisionais com regime disciplinar diferenciado.


Foram escoltados para a sede da DECO os presos Augusto Macedo Ribeiro, vulgo Abraão; Laudemir Costa dos Santos, vulgo Dentinho; Willyan Luiz de Figueiredo, vulgo Daniel, custodiados no Presidio de Segurança Máxima de Campo Grande e, ainda, Diego Duveza Lopes Nunes, vulgo Pitbull; e Wantensir Sampatti Nazareth, vulgo Inverno; ambos remanejados da Penitenciária de Dourados, todos com função de liderança e responsáveis pela central de inteligência do PCC, os quais serão interrogados e indiciados pelo crime de ameaça e organização criminosa em inquérito policial.

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