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Geral

08/08/2019 às 09h52

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Redacao

Ponta Porã / MS

O ódio está tomando conta do nosso povo
A intolerância ao contraditório é inaceitável
O ódio está tomando conta do nosso povo

*Edilson José Alves


Há muito tempo defendo a tese de que o brasileiro não é um povo pacífico. A criminalidade assusta, o número de mortes violentas supera a muitas guerras. Agora, além daquela violência escrachada que nos deparamos todos os dias, uma outra, talvez ainda pior, vem crescendo substancialmente, e isso causa preocupação maior, que é a violência do ódio, de não aceitar a opinião alheia. E tudo isso nasceu e cresceu patrocinada pelo grupo político que hoje domina o país.


A situação é tão grave que chegamos ao ponto de os organizadores da 13ª Feira do Livro de Jaraguá do Sul (de 8 a 18 de agosto de 2019), em Santa Catarina, se sentirem na obrigação de desconvidar duas personalidades, Mirian Leitão e seu esposo, o sociólogo Sérgio Abranches, que estariam participando da mesa “Biblioteca afetiva”. Tudo por causa de um ódio sem explicação que vem crescendo e se espalhando por todo o Brasil. A intolerância ao contraditório é inaceitável.


Tanto a jornalista quanto o sociólogo vinham sendo ameaçados por uns bandidos que se escondem em redes sociais e outros que aterrorizam os desinformados de uma sociedade de poucos conhecimentos. Parecem quererem estabelecer aqui um só discurso, uma só opinião, como faz Kim Jong-un, o líder supremo da Coreia do Norte. Criticam Nicolás Maduro, atual presidente da República Bolivariana da Venezuela, mas dão demonstrações que querem fazer o mesmo aqui, sufocar os que não comungam de seus pensamentos.


Alegam que o protesto e ameaças contra Mirian e Abranches acontece por causa do viés ideológico. Aí vem a pergunta: E eles teriam de pensar igual aos que semeiam o ódio? Num país democrático todos têm o direito de pensar e expressar opinião. Se criticam um viés ideológico de esquerda porque então agem com tanta raiva usando também um viés ideológico, só que de extrema direita. Extremistas não colaboram em nada para construção de um país democrático.


Imagine o quanto seria chato uma feira de livros só de seguidores marxista-leninista ou ao contrário, somente daqueles que defendem o neonazismo, o fascismo, neofascismo e outras políticas radicais. Tenho amigos que são antipetistas, anticomunistas e que estão sendo taxados exatamente de petistas e comunistas só porque pensam diferente daqueles que se acham os donos da verdade.


João Chiodini que é coordenador da 13ª Feira do Livro de Jaraguá do Sul disse que foi com muita vergonha que desconvidou Mirian Leitão e Sérgio Abranches. Disse que tomou a decisão para garantir a segurança dos convidados, já que haviam ameaças. Agindo desta forma, os irmãos catarinenses também nos envergonham. Nos causa repulsa que um país como o Brasil, que tanto prega democracia e liberdade, esteja fazendo vistas grossas para determinados grupos que querem institucionalizar no país a política de segregação.


*Jornalista


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