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Economia PECUÁRIA

Arroba do boi valoriza mais de 60% e atinge preço recorde de R$ 302

O impacto também é sentido pelo consumidor; o quilo da carne bovina apresenta alta de 50%

12/06/2021 09h26
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Por: Redacao Fonte: Correio do Estado
Arroba do boi valoriza mais de 60% e atinge preço recorde de R$ 302

No intervalo de um ano, a arroba do boi apresenta valorização de 66%. Em maio do ano passado, era comercializada pelo preço médio de R$ 176,85, ante os R$ 294,40 do mês passado. 

Conforme a cotação desta sexta-feira, da Scot Consultoria, em Campo Grande o valor chega a R$ 302,50 e em Dourados vai a R$ 304,50, maior valor já praticado em Mato Grosso do Sul.

A tendência é de que os preços fiquem ainda mais elevados pelos próximos meses, segundo os economistas consultados. 

Além do período de estiagem, comum para o período, o Estado enfrenta a falta de oferta de animais e a elevação dos preços dos insumos usados para a engorda.

De acordo com a economista Adriana Mascarenhas, o inverno geralmente é um período de seca na pastagem, e o produtor usa mais a silagem. 

“Tivemos um problema sério de clima que está comprometendo o milho safrinha, inclusive com lavouras perdidas, então eu acredito que o preço do milho deve se elevar muito – e a base da ração da silagem é o milho. Vai comprometer sim, é possível que a gente veja uma valorização maior da arroba do boi nesse período de inverno”, avaliou.  

Conforme os dados do boletim Casa Rural, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Sistema Famasul), o preço médio da arroba do boi mais que dobrou no intervalo de três anos. 

Em maio de 2018, o valor médio em MS era de R$ 129,82 e passou a R$ 294,40 em 2021 – aumento de 126,77%.

A arroba da vaca também apresentou aumento expressivo no período. 

Em um ano, o aumento é de 73,67%, saindo de R$ 160,74 em maio do ano passado para R$ 279,16 neste ano. Em 2018, a arroba era comercializada a R$ 119,43 no Estado.

“Nos últimos dois anos observamos um aumento expressivo no valor da arroba, saindo de R$ 150 no fim de 2019 e alcançando uma marca histórica acima de R$ 300 em 2021. 

Vale lembrar que essa elevação da arroba não significa necessariamente aumento na margem do pecuarista. 

Principalmente o produtor de recria e engorda: com a elevação de custos da reposição, houve uma redução dessa margem”, explicou o presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas (SRTL), Kennides Martins Batista Filho .  

OFERTA

Além da estiagem, os representantes do setor produtivo apontam as exportações, tanto de carne quanto de soja e milho, como responsáveis pela valorização dos preços.

Para o doutor em Economia Michel Constantino, o setor está aquecido e os preços devem subir. 

“A demanda de carne mundial é maior que a oferta, por isso a arroba do boi está alta e vai continuar a aumentar. O preço da carne vai continuar aumentando nesse segundo semestre, pois a estiagem faz a produção cair, as fêmeas reprodutoras estão em falta e a maioria da produção vai para exportação. Além disso, o dólar continuará em patamares altos e tudo isso vai fazer o preço subir”.

O presidente do sindicato rural afirma que a falta de oferta no mercado é perceptível no interior do Estado. 

“Três Lagoas mesmo já ultrapassou um milhão de cabeças no município e hoje não chega a 600 mil. Por conta disso a gente acredita que nos próximos meses teremos uma elevação da arroba, porque os preços dos insumos como milho e soja fizeram com que o produtor diminuísse o confinamento e devemos ter alteração até mesmo no mercado futuro”, disse Batista Filho.

Conforme o relatório de movimentação de bovinos da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Mato Grosso do Sul produziu 1,13 milhão de cabeças para abate no primeiro quadrimestre de 2021. 

Queda de 6,09% em relação ao mesmo período de 2020, quando 1,21 milhão de cabeças foram para o abate.

CONSUMIDOR

Quando a cadeia produtiva eleva o preço da arroba do gado, consequentemente o consumidor é impactado com preços mais elevados. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que a carne bovina aumentou, em média, 50,77% em um ano.

Em maio de 2020 os cortes bovinos como patinho, coxão duro e coxão mole eram comercializados a R$ 24,58, em média. Já no mesmo período deste ano, para comprar um quilo dos mesmos cortes foi preciso desembolsar R$ 37,06 no Estado.  

“A partir do momento que você aumenta o preço da arroba, consequentemente esse custo é repassado para o consumidor final. Mas chega um pico de preços que o consumidor não absorve mais os aumentos. É o que a gente observa agora, que é a migração para carnes mais baratas”, comentou Adriana.  

No entanto, com a oferta reduzida, outras proteínas também apresentam elevação de preços. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a carne de porco aumentou 30,98% nos últimos 12 meses, o frango, 16,39%, e os ovos, 13,30%.

Com o aumento da demanda por milho, as produções de aves e suínos também ficarão mais caras – e consequentemente o preço ao consumidor. Em um ano, a saca de 60 kg do milho registra valorização de 132,10%. O preço médio de maio de 2021 chegou a R$ 92,26, ante o valor médio de R$ 39,75 no mesmo período de 2020.

“Existe uma demanda muito forte de crescimento do consumo de milho, portanto, os preços vão ficar sustentados. Nos preocupa essa pressão de custo que vamos ter sobre a avicultura, suinocultura e a própria bovinocultura, dado que o milho está realmente em um preço elevado”, informou o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck.

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