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Economia ECONOMIA

Alto custo dos insumos e seca devem dificultar queda no preço da carne

Dados apontam que abate de bovinos apresentou diminuição de até 20%

31/05/2021 08h13 Atualizada há 3 semanas
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Por: Redacao Fonte: Correio do Estado
Volume de produção não será suficiente para baratear o preço ao consumidor final - Foto: Gerson Oliveira
Volume de produção não será suficiente para baratear o preço ao consumidor final - Foto: Gerson Oliveira

O custo alto dos insumos agropecuários tem refletido diretamente nas despesas de produção da carne bovina, que apresentaram aumento significativo, representando um desafio para a indústria, e o cenário deve piorar com a chegada da estiagem.

De acordo com os números do Boletim Casa Rural, divulgados pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul), o abate de bovinos apresentou queda de 8,35% no último ano.

Segundo o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, a carne não deve ficar mais cara, mas o preço também não deve baixar tão cedo.  

“A carne já está em um nível de preço que dificilmente vai aumentar mais. Seu valor está alto assim por uma série de circunstâncias, e não apenas pela falta de gado. Se na ponta aumentar ainda mais o preço da carne, não vai mais vender. Já observamos uma queda no consumo, isso porque o custo está muito elevado para o consumidor”, analisa o secretário.

Ainda de acordo com os dados do Sistema de Inteligência e Gestão Territorial da Bovinocultura de Corte de Mato Grosso do Sul, o custo na produção aumentou de forma significativa. O preço da saca de milho no mês de abril deste ano fechou em R$ 87,26, representando um aumento de 15,27% se comparado ao mês anterior.  

Quanto à relação de troca entre o milho e a arroba do boi, o mês de abril registrou queda de 11,01%, diminuindo, desse modo, o poder de compra do produtor. 

Em entrevista ao Correio do Estado, ainda no início deste mês, a analista técnica do Sistema Famasul Eliamar Oliveira explicou o reflexo de valores mais altos dos principais insumos, puxados pela alta do dólar, no custo de produção.

“Para a 2ª safra de milho 2021, em Mato Grosso do Sul, esse grupo [insumos] representou 61,46% do custo total, e o gasto com esses itens aumentou cerca de 13% quando comparado à safra de 2020”.

Além do custo dos insumos, que englobam fertilizantes, herbicidas, fungicidas, entre outros, também foi observada uma alta no preço do combustível, que, ainda de acordo com a analista, foi um importante fator para contribuir com o encarecimento no custo de produção da bovinocultura de corte.

“As altas constantes no preço do óleo diesel acarretaram impacto de 5,84% no custo de produção do milho 2ª safra 2021, sendo o maior das últimas quatro safras, segundo a Embrapa”, completa Eliamar. 

ESTIAGEM

Outro desafio para o setor é a estiagem, que já começa a causar impactos no campo e no custo da carne para o consumidor final. 

“Estamos entrando no período de seca, e isso tende a piorar. O que acontece é que muitos frigoríficos fecham, porque neste momento não tem disponibilidade de gado. Essa falta é sempre sazonal, isso sempre acontece, de maneira mais ou menos intensa”, explica Verruck.

Ainda em fevereiro deste ano, a falta de gado para abate começou a ser sentida em Mato Grosso do Sul com a paralisação de algumas plantas frigoríficas. 

Na época, o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems) enviou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) pedido de autorização para importar animais do Paraguai.

Mas, de acordo com Verruck, o Estado não deve importar carne paraguaia, o que pode manter o preço elevado por um tempo. “É preciso equilíbrio entre o produtor e o consumidor, mas a carne ainda deve permanecer cara, isso porque não há nenhuma possibilidade de oferta a curto prazo de mais animais”, pondera o secretário.

A falta de gado para abate em Mato Grosso do Sul já fechou quatro plantas no Estado. De acordo com a assessora executiva do Sicadems, Jussara Andrekowisk, o preço dos insumos para o confinamento do gado e a seca têm apresentado reflexos no setor.

“Até fizemos o pedido para o Mapa para importarmos o boi em pé para o abate aqui no Estado, mas não tivemos resposta alguma. Isso nos ajudaria a não fechar as portas”, reclama.

Segundo ela, o abate vem diminuindo mês a mês e, dos 26 frigoríficos no Estado, quatro já precisaram fechar as portas.

“Isso impacta muito para os pequenos municípios, onde as plantas geralmente estão instaladas. Esses frigoríficos devem gerar no mínimo 200 empregos diretos, e dependendo do porte do frigorífico, esse número pode ser até maior. Isso faz com que toda a cadeia perca”, lamentou.

ALERTA

Na sexta-feira, o Sistema Nacional de Meteorologia emitiu o primeiro alerta de emergência hídrica, que trata da escassez de chuva. A estiagem deve se estender até setembro deste ano na região da Bacia do Paraná, que abrange cinco estados brasileiros, entre eles Mato Grosso do Sul.  

Em nota conjunta, os institutos responsáveis pelo monitoramento afirmaram que a falta de chuva já começa neste fim de maio. 

“Estudos realizados pelo SNM de acompanhamento meteorológico para o setor elétrico brasileiro alertam que as perspectivas climáticas para 2021/2022 indicam que a maior parte da região central do País, a partir de maio até fim de setembro, entra em seu período com menor volume de chuvas (estação seca). A previsão climática elaborada conjuntamente pelo Inpe, Inmet e Funceme indica para o período junho-julho-agosto/2021 a mesma tendência, ou seja, pouco volume de chuva na maior parte da Bacia do Rio Paraná. Essa previsão é consistente com a de outros centros internacionais de previsão climática”, diz a nota.

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