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POLÍTICA

Artigo: Incultura causa náuseas

"A inocência é uma espécie de insanidade”

29/04/2020 10h49
Por: Redacao
Fonte: Edilson José
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*Edilson José Alves

Uma das frases escritas pelo americano Graham Greene define muito bem parte significativa do povo brasileiro: "A inocência é uma espécie de insanidade”. A frase de Greene me trouxe a lembrança a imagem de quatro figuras postadas na frente do nosso glorioso 11º Regimento de Cavalaria Mecanizado “Regimento Marechal Dutra”, em Ponta Porã, segurando cartazes pedindo a reedição do Ato Institucional nº 5 (AI-5). Pobres mortais nem imaginam que estavam fazendo o registro não de suas vontades, mas de crime previsto na Lei de Segurança Nacional e na Constituição Federal de 1988. Pior que imaginaram estar naquele ponto para agradar o presidente Jair Bolsonaro e o Exército Brasileiro. Bolsonaro eles poderiam até agradar, mas jamais o Exército e vou explicar porque.

Em recente artigo o jornalista Elio Gaspari lembrou o que disse em agosto de 1964 o marechal presidente do Brasil, Humberto Castelo Branco, que àquela época deu a seguinte lição: "Há mesmo críticas tendenciosas e sem fundamento na opinião pública de que o Poder Militar se desmanda em incursões militaristas. Mas quem as faz são sempre os que se amoitaram em meios militares. Felizmente nunca rondaram os portões das organizações do Exército que chefiei. Mas eu os identifico a todos. E são muitos deles, os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoraçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do Poder Militar".

Se levarmos em conta os ensinamentos de Castelo Branco, vamos perceber que Bolsonaro pode ser um daqueles que amoitou-se diante do Quartel-General onde havia uma aglomeração de vivandeiras que pediam extravagâncias do Poder Militar. O AI5 seria neste momento a maior extravagância e com certeza totalmente descartada pelas cabeças pensantes dos ativos do nosso glorioso Exército Brasileiro.

Como ocorre na combalida Venezuela de Maduro, Jair Bolsonaro subiu na caçamba de uma caminhonete para discursar afirmando que acredita em fanáticos golpistas, os quais gritavam o seu nome e faziam muito barulho e aos berros pediam intervenção militar no Brasil. O nosso presidente poderia usar o pouco conhecimento que possui para diminuir a incultura daqueles costumeiros praticantes de crimes contra a ordem nacional, mas não, fez bravatas dizendo que a patifaria tinha chegado ao final.

O que muita gente não sabe é que antes de se postar frente aos transloucados manifestantes, Bolsonaro já havia convidado para estar junto com ele o ministro da Defesa, General Fernando Azevedo e Silva, e também o ministro-chefe da Secretaria de Governo, General Luiz Eduardo Ramos, mas os dois se recusaram até porque o local marcado para a manifestação em frente ao Quartel General do Exército seria no sentido de transparecer que as Forças Armadas apoiam o governo e seriam simpáticas aos manifestantes, o que não corresponde à verdade.

A insensatez dos fanáticos é de tal dimensão que durante o ato de apoio a Bolsonaro fizeram buzinaço em frente ao Hospital das Clínicas de São Paulo, mesmo quarteirão do Instituto Emílio Ribas, cujo setor da UTI está lotado de pacientes infectados pela covid-19.

O Brasil precisa de paz, mas o povo precisa querer a paz!

*Jornalista

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