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Educação

12/04/2019 às 07h14 - atualizada em 11/04/2019 às 19h01

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Redacao

Ponta Porã / MS

Alunos de escola pública de Ponta Porã criam tradutor de mãos
Estudantes da Escola Fernando Saldanha utilizam a inovação tecnológica para criar ferramentas que melhoram a vida das pessoas
Alunos de escola pública de Ponta Porã criam tradutor de mãos
Alunos que participam do projeto, professores e o vereador Edinho Quintana

*Edilson José Alves


Um grupo de alunos da Escola Estadual Fernando Saldanha participa de um programa lançado pela própria instituição que visa a pesquisa tecnológica e inovação em Ponta Porã (Propeti). Em pouco mais de um ano foram criados três produtos de grande utilidade para o dia-a-dia das pessoas e que já ganhou prêmio em feira em Assunção, no Paraguai, e que será apresentado no Peru. Um dos produtos desenvolvidos é um aparelho que faz a medição em centímetros dos pés das pessoas indicando em forma digital o tamanho e o número do calçado indicado. Outra pesquisa resultou na fabricação de um semáforo inteligente que reduz a zero o tempo de espera. E o mais interessante e de grande utilidade é um aplicativo para telefone celular o qual facilita a comunicação de surdos e mudos com pessoas de audição perfeita com um sistema de tradução de sinais de mãos.


O Propeti lançado em março de 2018 é de iniciativa da própria direção e professores da Escola Estadual Fernando Saldanha. O programa nasceu com objetivo de investir em pesquisa e tecnologia com os trabalhos sendo coordenados pelos professores José Ramão de Souza Chiquitin, Johnathan Cabrera Miguel e Edson Dias de Carvalho, tendo como gestor Leandro Pereira da Silva. O trabalho conta com apoio da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), dos cursos de matemática e de ciência da computação e do Núcleo de Tecnologia Educacional de Ponta Porã. A proposta é fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de inovação tecnológica, ferramentas e invenções para aprimoramento da formação dos estudantes do ensino fundamental e médio, buscando melhorar o contexto social no qual estão inseridos. A autonomia em buscar, criar e inovar permite que o estudante se torne protagonista e autor transformador da sociedade na disseminação do conhecimento.


Como praticamente não existe ações do setor público no sentido de fomentar a ciência e tecnologia nas escolas públicas, o Propeti de Ponta Porã foi criado para promover o envolvimento dos estudantes com a produção de tecnologia e inovação, visando orientar a sua formação futura nesta área de conhecimento, além da alfabetização e inclusão científica do estudante para sua inserção na sociedade do conhecimento e incentivando a disponibilizar um breve tempo para orientar nos projetos desenvolvidos pelos estudantes.  O programa partiu da premissa que inclusão social e tecnológica oferece condições para as pessoas viverem melhor e como cidadãos plenos, dotados de conhecimentos, meios e mecanismos de participação. É utilizada como metodologia o desenvolvimento de atividades por meio de oficinas, minicursos, encontrados focados em desenvolvimento de projetos em diversas áreas. O estímulo ao desenvolvimento de processos de inovação permite que os estudantes sejam agentes protagonistas e transformadores dentro da escola, garantindo assim a aus autonomia em um contexto de ensino e aprendizagem.


Um dos projetos desenvolvidos é o Hand Translator (Tradutor de Mãos), o qual foi desenvolvido sob a coordenação dos professores Edson Dias de Carvalho e José Ramão Chiquitin, contando com os seguintes membros, professora Diana Beatriz Mancini, e os estudantes Alan Rubens Almada Ortiz, Thiago Santos de Abreu, Thompson Lenon de Oliveira, Tainara Cordeiro Ramalho e Rain Ferreira da Silva. O projeto consiste em um aplicativo para telefone celular com a função de facilitar a comunicação entre surdos mudos e pessoa com audição perfeita. A ideia surgiu devido as dificuldades enfrentadas pelos surdos em sala de aula, normalmente dependentes de interprete em libras para uma comunicativa efetiva. O aplicativo usa como base de programação em Java por meio da ferramenta de desenvolvimento denominada Android Studio, o que permitiu aos estudantes no decorrer do seu desenvolvimento ter maior contato com a área de programa de sistemas, promovendo interação entre a universidade e a escola por meio de trocas de experiências e intercâmbio. O Hand Translator conta com uma versão de protótipo e quando plenamente desenvolvido em sua versão final se tornará um recurso a ser utilizado na sala de aula para o enfrentamento dos problemas de comunicação entre o estudante surdo e mais ouvintes.


Outra inovação desenvolvida foi o projeto Discovering Your Number (DYN) – Descobrindo o seu número – que tem como objetivo descobrir o número exato do calçado de forma eletrônica, foi desenvolvida referida tecnologia com a participação dos professores Diana Beatriz Mancini, Edson Dias de Carvalho e Johnathan Cabreira Miguel e os estudantes Tainara Cordeiro Ramalho, Raian Ferreira de Oliveira e Thompson Lenon de Oliveira. Baseando-se em estudos em programação em linguagem C+, os estudantes desenvolveram com o hardware Arduino Uno e eletrônica simples, foi criada mecanismos tecnológicos próprios como forma de aplicação dos conceitos abstratos da matemática. A pessoa pisa no equipamento e no mesmo instante é mostrado quantos centímetros mede o pé e qual o número de calçado indicado.


Outro importante produto desenvolvido pelos estudantes Rain Ferreira da Silva, Thompson Lenon de Oliveira e Tainara Cordeiro Ramalho, com a coordenação dos professores Edson Dias de Carvalho e Johnathan Cabreira Miguel, é o Semáforo Inteligente. Os estudos apontam que nos últimos anos os crimes de assaltos a motoristas em semáforos tiveram um aumento significativo nas cidades brasileiras, principalmente nos grandes centros urbanos. O problema levou os estudantes a uma reflexão sobre propostas e soluções para reduzir estas estatísticas. Desta forma criaram o Semáforo Inteligente cuja função é incorporar um recurso eletrônico com programação em linguagem C para diminuir a zero o tempo de espera em semáforos no período noturno pela detecção do automóvel a uma distância de segurança com relação ao cruzamento das vias em horários de pouco fluxo de veículos, principalmente nos horários de madrugada. Como resultado inicial do projeto foi construído um protótipo em uma maquete com todos os dispositivos eletrônicos que permitem a execução da programação de controle dos sensores em um modelo de semáforo de quatro tempos.


DIFICULDADES


Os estudantes não contam com nenhum tipo de patrocínio para o desenvolvimento das pesquisas e participação em eventos nacionais e internacionais e isso dificulta o avanço das atividades, já que se trata de adolescentes vindos de famílias de baixa renda. O grupo de alunos participou da Feira de Ciência e Tecnologia da Fronteira, evento promovido pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) em 2017, ganhando o direito de participar em 2018 da Feira Internacional de Ciências e Tecnologias de Assunção (CIENCAP), na qual foram selecionados para estarem neste ano no Peru. No ano passado os projetos também foram apresentados com destaque na Semana Nacional da Ciência e Tecnologia (SNCT), evento promovido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).


O professor Edson Dias de Carvalho, que é um dos coordenadores, disse que sem receber apoio financeiro o avanço do projeto fica comprometido. “Os alunos não têm condições financeiras para levar a tecnologia desenvolvida aqui em Ponta Porã para mostrar em outros países, como é o caso agora da viagem para o Peru. Caso empresários ou mesmos representantes públicos queiram conhecer os projetos para nos ajudar ficaríamos muito grato. Se trata de dar oportunidade para esses jovens que desenvolvem com muita garra esse programa de inovação tecnológica que visa a criação de mecanismos para dar dias melhores para a nossa população”. Um dos colaboradores do projeto é o vereador Edinho Quintana, mas está aberto a outros interessados, os quais podem manter contatos com a direção da Escola Estadual Fernando Saldanha, em Ponta Porã.


Edson fala que o projeto é permanentemente renovado. “A cada dois ou três meses convidamos outros alunos para entrar, a ideia é ampliar com outras escolas do Estado e também do município para futuramente possamos ter um espaço reservado para os criadores e programadores. Agora mesmo acabamos de receber dois alunos novos, Gabriel Nunes e Gabriel Duarte Amarilha; mas temos outros que também ingressaram este ano e estão se dando bem como a Michelly Yasmin Ortiz Salina e o Bruno Chaves Monteiro”, disse. 




FONTE: Edilson José

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