Audiência discute médico de fronteira em Ponta Porã


foto_2_paulo_correaNa última sexta-feira, dia 23, foi realizada no Centro Internacional de Convenções, audiência pública para discutir a atuação de médicos em regiões de fronteira. Solicitada pelo deputado estadual, Paulo Corrêa (PR), pelo prefeito de Ponta Porã, Ludimar Novais, e pelo governador do Departamento de Amambay, Paraguai, Pedro Gonzalez, a discussão teve como objetivo discutir o atendimento público de saúde e atuação de profissionais brasileiros e paraguaios.

O prefeito Ludimar disse que a luta em favor da criação dos médicos de fronteiras é uma luta importante e que resultará numa significativa melhora de atendimento para a população. Ressaltou o trabalho desenvolvido pelo deputado Paulo Corrêa para que isso aconteça. “É uma luta, é difícil, mas poderemos ter sucesso com a mobilização, engajamento e participação de quem detêm representação”, disse.

Ludimar disse que regulamentar a atuação dos médicos de vitória representará uma vitória de todo o Brasil. “Não é uma vitória apenas dos profissionais formados em outros países, mas das pessoas que precisam de médicos. Eu apoio essa luta, vamos estar juntos para que possamos mobilizar o congresso nacional, para que se cumpra uma legislação existente, que permite este tipo de atuação”, destacou.

Já o deputado estadual, Paulo Corrêa, disse que vai continuar lutando pelos médicos de fronteiras e que entende isso como um avanço para as pessoas que vivem nessas regiões.  “Realizamos mais uma audiência pública para discutir o projeto “médicos de fronteira” e estamos felizes porque foi feita uma ata que agora será encaminhada ao senador Delcídio do Amaral, que está nos apoiando nessa luta e vai levar essa proposta ao Senado Federal. Claro que tem questionamentos do Sindicato dos Médicos e do Conselho Regional de Medicina, mas o que nós entendemos é que a possibilidade de unir currículos do ensino brasileiro e paraguaio está próximo de se concretizar. Temos cinco mil alunos brasileiros estudando no Paraguai, dos quais 2 mil são de Mato Grosso do Sul. Estamos defendendo a possibilidade de que possam atuar em Mato Grosso do Sul e no Paraguai, fazendo este convênio binacional Paraguai/Brasil”, ressaltou.

O médico paraguaio Osvaldo Segovi, reitor da Universidade Sulamericana, disse que os médicos brasileiros são corporativistas. “É sempre a mesma conversa, eles não aceitam que os próprios irmãos brasileiros atuem seu país. Chegam a dizer que um brasileiro para atuar no Paraguai também precisa revalidar o diploma. Isso não é verdade. Eu não quero trabalhar no Brasil, mas atende brasileiros que cruzam a fronteira em busca de atendimento. Fazemos parte do Mercosul e o Brasil é o único país que não reconhece isso. Por que não reconhece? Porque os médicos brasileiros não querem mais médicos trabalhando no seu país”, criticou.

O presidente da Câmara Municipal, Agnaldo Miudinho (DEM), apresentou a Portaria 734 da Presidência da República, a qual permite a atuação de médicos de fronteira. “Se temos o Mercosul, tem que haver essa integração e se ela hoje não existe, temos que buscar apoio dos nossos deputados e dos nossos senadores”, destacou.

A advogada Cleide Pedroso que é esposa de um aluno que faz o 5º ano de medicina no Paraguai e mãe de um aluno também do 5º ano de medicina em Universidade Federal do Brasil, disse que nos finais de semana, pai e filho estudam juntos. “Eles não vêem diferença no ensino é praticamente a mesma coisa. Deveria haver uma isonomia no pagamento dos médicos, já que no momento da formatura eles fazem juramento em defesa da vida do próximo e não pelo dinheiro que podem ganhar”.

A secretária municipal de Saúde de Corumbá, Dinaci Ranzi, representando o prefeito Paulo Duarte daquela cidade, elogiou o deputado Paulo Corrêa pela coragem de lutar pelos médicos de fronteira. Ressaltou a criação do programa “Mais Médicos”, da presidente Dilma Rousseff, que segundo ela, possibilitou a entrada de 14 mil novos médicos no Brasil. “Somente no Mato Grosso do Sul temos 205 médicos do programa e isso representa muito para a população. São profissionais brasileiros, cubanos, portugueses, espanhóis, argentinos, entre outros. É um desafio grande e o senador Delcídio do Amaral prometeu lutar pelos médicos de fronteira em Brasília”, disse.

Representante dos estudantes de medicina que optaram por se formar no Paraguai, Victor Arantes Vilego defendeu a reivindicação dos alunos.  “É uma audiência muito importante porque esse programa vai abrir portas para os estudantes brasileiros que estão estudando no Paraguai para poder trabalhar no Brasil. Tem muitos brasileiros estudando no Paraguai e que querem trabalhar no seu país. Eu vim para o Paraguai porque o curso é mais barato e a qualidade é igual a do que é oferecido Brasil. É muito importante a iniciativa do deputado Paulo Corrêa porque isso vai abrir as portas para nós trabalharmos no Brasil”, afirmou.

 Representando os prefeitos dos municípios de fronteira, o prefeito de Caracol, Manoel Viais também falou dos benefícios da proposta.  “Vivemos em uma região de fronteira seca onde os problemas são comuns nos dois países. Estamos discutindo uma questão que não tem mais como deixar de lado. É uma questão de saúde, uma questão pública, onde as prefeituras não têm mais condições de arcar com os médicos que atuam nos nossos municípios e temos que pedir socorro onde tem médico sobrando, é o caso do Paraguai, onde tem médicos sobrando. Não podemos simplesmente, por um revalida, deixar a população das nossas cidades padecer por falta de médicos”, defendeu.